Em uma viagem atravessando o Uruguai até a Argentina, encontrei uma livraria no shopping de Colônia del Sacramento, enquanto esperava a balsa para ir para Buenos Aires. Nessa livraria, continuei minha aventura de procurar histórias de ficção científica ou fantasia de autores locais. Encontrei dois livros que me chamaram a atenção:
- Antología Fantástica - uma coleção de contos de fantasia escrita e ilustrada por uruguaios, compilada por Anna O'Malley e Valentina Marini.
- Escribir Fantástico - manual de escritura de gêneros fantásticos, da Escuela de Escritores.
Depois de avançar na minha lista, finalmente chegou a hora de explorar o mundo extraordinário imaginado no Uruguai. Foram quatorze contos, variando de histórias sem graça até coisas que passaram semanas na minha cabeça. Vamos aos comentários!
- O ladrão de cadáveres, de Loren Ysella: um possível lobisomem está atacando pela cidade, atraindo a atenção da polícia e de curiosos. História simples, não muito marcante.
- Questão de idade, de Felipe Buchelli: uma competição entre ceifadores, responsáveis por recolher as almas dos mortos, mostra o lado sombrio da disputa pelo poder. Reviravoltas interessantes e um final tenso.
- A prisioneira da torre, de Marcelo Ávaros: a irmã da princesa presa quer acabar com a tradição do cavaleiro salvador e enfrenta o dragão guardião. Disputa mental e física entre dois adversários de escalas bem diferentes. Meio previsível, mas a história é bem contada.
- Pactos em uma noite sem lua, de Valentina Marini: um menino convence dois amigos a entrar nos escombros embaixo da escola para encontrar um fantasma, que realizará um desejo. O desenvolvimento não é dos melhores, mas o final foi bem diferente!
- Aqueronte, de Sofía Aguerre: um casal amaldiçoado precisa enfrentar a etapa final de sua decadência e o responsável pelo seu destino. Nada de especial.
- A praga do sonho, de Lazerth: uma epidemia que mata as pessoas durante o sono, que se caracteriza pelo mesmo sonho para todos a cada noite. Os sobreviventes juntam informações para que os que se contaminam depois saibam como sobreviver. Disparada a a história que mais ficou na minha cabeça, nem tanto pela narrativa, mas por variações sobre esse tema.
- O visitante, de Diego Mascheroni: um homem vê um ser que o leva a reviver histórias e fantasias de seu passado. Outras história sem muito brilho.
- Sexta-feira Santa, de Diego Coppa Rutigliano: após a morte do avô, Domingo tenta recuperar uma caixa de música, uma prova do amor entre seus avós. História confusa, que tenta ter um final tocante, sem muito sucesso.
- Entrevista com o gnomo vampiro, de Belén Ferreyro: as deseventuras de uma gnoma que foi expulsa de seu grupo e tem receio de ser rejeitada pelos vampiros. Nada de especial, previsível.
- Experiência prévia comprovada, de Flavia Menchaca: um advogado recém formado busca uma vaga em uma empresa especializada em casos mágicos. Boa ambientação, mas parece que poderia ter outras histórias melhores a contar.
- A histórica fantástica do lobo-homem na discoteca, de Santiago Pintado: o primeiro contato de um lobo que vira homem na lua cheia com a civilização é em uma discoteca que serve de fachada para o tráfico de poções mágicas. Bem contada e cheia de ação, estaria em casa em uma coleção de curtas.
- O cavaleiro de três sombras, de Mathías Cunha: o filho de um biscateiro conta a verdadeira história que o tornou uma lenda no reino. Aventura que poderia fazer parte da mitologia de Game of Thrones. Uma boa narrativa, mas que não nos faz gostar do protagonista.
- A saga de Baldur, o viking, de Anna O'Malley: após quebrar a perna e ser descartado de futuras invasões, Baldur tem um dia ruim e arrasta sua esposa para o meio do oceano. O ritmo é quebrado, com momentos que tentam humanizar mais os personagens no meio de uma noite com acontecimentos mitológicos.
- Restos familiares, de Maria Belén López Pérez: na última noite antes venda da fazenda de seu finado tio, Antonela faz uma última tentativa para desvendar o mistério da morte dos seus parentes. História bacana, que traz elementos da cultura guatemalteca ao cenário uruguaio.
Para mim, os três melhores contos foram:
- A praga do sono
- Restos familiares
- A prisioneira da torre