1 Danrlei; 2 Arce, 3 Rivarola, 4 Adilson, 6 Roger; 5 Dinho, 8 Luis Carlos Goiano, 10 Arilson, 11 Carlos Miguel; 7 Paulo Nunes, 9 Jardel. Técnico: Luis Felipe Scolari.

Esse time conquistou o Brasil, a América e bateu de frente com o imbatível Ajax mesmo com um jogador a menos. Nenhum desses caras era considerado grande coisa antes de encaixar nesse time, mas todos marcaram história pelo Grêmio e por outros times depois. E o mestre desse time era Luis Felipe Scolari, que já tinha sido campeão pelo humilde Criciúma. Da cabeça desse ex-zagueirão grosso saiu o que eu considero o formato mais simples e eficiente para um time de futebol. Tenho certeza que ele não foi o primeiro a montar esse esquema, mas foi isso que eu vi. Não tem mistério e cada peça tem exatamente uma função. Não exige nada de extraordinário, além do que já se espera de um jogador em cada posição. Vamos dissecar cada posição desse 4-4-2 que me trouxe muitas alegrias.
DEFESA
Goleiro: o camisa 1, guarda-metas, o paredão. Impossível um time ser vencedor sem ter um goleiro que inspire confiança nos seus colegas e meta medo nos atacantes. Danrlei inspirava heroismo, suava Grêmio, ia para a briga (literalmente) pelo time. E defendia muito. Saiu da base e ficou dez anos no time. Tivemos bons goleiros, mas só Marcelo Grohe conseguiu repetir a história, e deu no que deu. É para isso que o goleiro está lá: não tomar frangos e fazer milagres.

Zagueiros: muito simples. Tem um zagueiro habilidoso (camisa 4) e um que só sabe dar chutão (camisa 3). E o mais importante: os dois precisam saber quem é quem. Fazer gol em escanteio também faz parte do pacote. Adilson e Rivarola, Mauro Galvão e Marinho, Geromel e Kanneman. Não tem o que inventar, simples e eficiente. E levantam taças.


Laterais: um defende mais e o outro tem liberdade para atacar. O Roger em dez anos no Grêmio fez 4 gols. Praticamente um terceiro zagueiro. Do outro lado, um cara que chega na linha de fundo e cruza com qualidade. E que qualidade tinha aquele paraguaio! Normalmente, esse lateral ofensivo também é um dos cobradores de falta do time. Roger e Arce, Rubens Cardoso e Anderson Lima, Marcelo Oliveira e Edilson. Camisa 6 joga na esquerda e o 2 na direita.


MEIO CAMPO
Volantes: marcadores, mas que conseguem pelo menos iniciar uma jogada. A diferença entre o Dinho e o Goiano era que o segundo volante (camisa 8) pedia desculpas depois de bater. Não precisa chegar a tanto, mas tem que chegar junto. Ser a primeira linha de defesa e conseguir tempo para a zaga se organizar. Também são aqueles que rodam a bola para começar o ataque. No Grêmio, normalmente o capitão é esse primeiro volante, o xerifão (camisa 5). Dinho e Goiano, Eduardo Costa e Tinga, Maicon e Arthur.


Meias de armação: não tem essa de 1 atrás dos atacantes, isso facilita a marcação do adversário. Um pelo lado direito e outro pelo esquerdo. Uma opção é o destro jogando na esquerda e um canhoto na direita, para poder cortar para dentro e chutar. Principal arma é a troca de passes entre os dois ou a triangulação com os laterais. E tem que gostar de fazer gol. Abriu espaço, tem que chutar. O mais habilidoso ostenta a camisa 10 e o outro leva a 11. Carlos Miguel e Arilson, Tcheco e Diego Souza.


ATAQUE
Ponta: pode escolher um dos lados ou ficar se mexendo. A função desse cara é dar opções para os meias e fazer a bola chegar no centroavante. Se não tiver esse centroavante, podem ser dois pontas, mas tem que ir para cima da zaga e encarar o goleiro. Não tem essa de falso nove, é camisa 7: tem que chegar de frente pro gol com a bola, não ficar de costas pro goleiro. Paulo Nunes, Luis Mário, Carlos Eduardo, Pedro Rocha e Éverton.

Centroavante: só tem uma preocupação – colocar a bola pra dentro. Na pior das hipóteses, tem que gerar um perigo de gol e meter medo nos zagueiros. Está em falta no mercado e são poucos os que realmente podem ser chamados de centroavantes. Não precisa driblar, nem fazer jogada bonita. Tem que fazer gol. Só. Mais desengonçado que o Jardel é difícil encontrar, mas foi artilheiro em todos os lugares que passou. A lista aqui é de qualidade discutível, mas a função deles não. Legítimos camisa 9: Jardel, Christian, Tuta, André Lima, Jael…

Qualquer time que eu vejo jogando (agora, Bahia x Atlético-BA, pelo Baiano) vai ser comparado com isso aqui. 4-4-2, simples, sem frescura. Pode mudar o número na camiseta, mas eu sempre vejo a função do jogador entre o 2 e o 11. Os jogadores têm seus papeis muito bem definidos, sem invenção ou firula. Em um time bem organizado, fica mais fácil a entrada de um reserva, porque cada um sabe exatamente o que fazer.
Entre 2001 e 2002, teve uma fase 3-5-2, com o primeiro volante virando o terceiro zagueiro e os dois laterais liberados para atacar. Sobravam três no meio campo, normalmente com um meia avançado e dois volantes adiantados. Foi uma fase passageira, mas que rendeu uma Copa do Brasil para o Grêmio e uma Copa do Mundo para o Brasil.
Desde que me conheço por gente, foram times nesse 4-4-2 que eu vi jogando bem e ganhando. Até que chegou 2016 e o time do Renato encaixou e desmoronou tudo o que eu sabia de futebol…