Hacks acompanha a veterana comediante Deborah Vance, interpretada pela fantástica Jean Smart, em um momento de transição da carreira. Depois de anos de estrelato comandando as apresentações em um cassino em Las Vegas, ela começa a perder espaço. Seu agente tenta ajudar com uma roterirista novata de Los Angeles, Ava Daniels, papel de Hannah Einbender, que perdeu espaço em Hollywood por ter sido cancelada.
A interação entre a egocêntrica comediante e a jovem militante traz aquele clichê do conflito entre gerações, onde todo mundo espera que as duas pessoas se tornem melhores por aceitar essas diferenças. Isso realmente acontece, mas a série deixa bem clara como esse relacionamento tende a codependência e ressalta o lado sombrio da personalidade de ambas. Muitas situações deixam explícito como a interação entre elas é abusiva e tóxica, e como é difícil se libertar.
O seriado tem um humor inteligente e com frequência tem cenas onde as personagens fazem uma autorreflexão ao serem confrontadas com um choque de realidade.
A coisa que mais me incomoda na série é o fato de muitos episódios são centrados em acontecimentos que só existem porque a Ava faz algo incrivelmente burro. Isso leva a situações onde um conflito é forçado e só se resolve quando as duas fazem uma troca de acusações até se enxergarem uma na outra. Como a história toda se baseia em duas pessoas que precisam se destacar no mundo da comédia pelo pensamento rápido e inteligente, me parece que os roteiristas abusam do emburrecimento temporário como forma de forçar a evolução das personagens.
Atualmente na quarta temporada, Hacks é uma série inteligente, divertida e leve, que eu recomendo para quem gosta de tiradas inteligentes e um pouco de drama.